sexta-feira, 20 de março de 2009

Vestindo do Mel a camisa


Ela tossia que parecia que não aguentaria mais um tranco, - maldita gripe! - reclama Carol, minha garota. Retruquei que era mais que necessário tomar mel. Não apenas o mel, mas o mel que vinha com própolis e eucalipto ou guaco pra dar um jeito na tosse.

- Propolis especialmente é um santo remédio que não falta em casa.

No dia seguinte, fomos ao mercado municipal procurar algumas sacas de café, pois minha garota defendia seu trabalho de conclusão de curso naquela semana sobre uma campanha pra uma marca de café.

Comprei um pequeno frasco de mel, e ao chegar em casa, fiz questão de colocar o mel numa colher e dar na boquinha, bem em frente a sua mãe pra fazer a tão conhecida "média" com a sogra.

Dali em diante me tornei o maior defensor de mel em qualquer problema de saúde.

Súbito hoje, fui pego de surpresa. Até me lembrei de "De volta para o futuro" quando Mcfly nos tempos áureos de sessão da tarde, deixava uma discussão pra trás e era chamado de "franguinho" pelo Biff. Pronto. Mcfly parava de costas e logo se imaginava que esta, ele não levaria pra casa.

Me senti assim hoje. Correndo para poder chegar a tempo em casa e partir para meus exercícios vespertinos, saí do banco com a grana de mamãe e uma voz me parou rumo a minha moto.

- Moço! Quero te fazer uma promoção. - Me viro e vejo um jovem com porte de caipira mais estilizado, ali na porta do banco quase na sua campanha de marketing cheio de vidros de Mel.

Continuou ele: - Quero te vendê o mel num preço bão! Um por vinte e dois por trinta!

Minha cabeça foi a milhão: - Poxa...até queria te ajudar, estou só com o dinheiro do meu aluguel.

Mentira, pois aluguel eu ainda não pago. Eu não queria dar a desfeita que todos dão, afinal, aquele ali era o herói do mel, o alimento que tanto defendo e poderia ali estar traindo a minha fidelidade!

- Cara, só tô com a grana do aluguel, é sério, eu te desejo boas vendas e....

Me interrompe com mais uma promoção: Uma por quinze ou duas por vinte e cinco!

- Meu Deus! Pensei...quanto foi que minha mãe pagou naquele vidro que acabou mesmo? 

Ao me distanciar do vendedor, quase montando na minha moto, ele joga o lance final:

- Doze reais e a garrafa é sua!

Ainda desconcertado, dei minha tréplica: - Cara, tô de moto, não tem como levar este vidro imenso!

- Eu te coloco em duas sacolas e minha oferta final por dez reais o vidro!

Pronto! Sabia que doze não era a final. Eu fui enganado. 
Meio dormente na lógica, observei que minha mão tomou vida própria e sacou uma nota de dez reais.

Meu corpo. tantas vezes curado pelo mel, tomou vida própria, me deixou letárgico mentalmente e adquiriu o produto. Eu não acreditei no que vi. 
Automaticamente, minha mente me ludibriou, e trouxe a tona, memórias de quando criança, mamãe fazia leite quente com o mel pra dormir bem a noite. Lembrei-me da minha avó fazendo mel com limão pra dormir bem quando passava temporadas de férias na casa dela. Avançando o tempo, vi Carol derramando o mel nas frutas e dizendo: - Eu também gosto de mel!
Por último, a imagem da mesma Carol tossindo quando estiver em casa numa provável gripe! 
O terror pairou em mim quando lembrei que o mel que tinha em casa acabou.
E assim meu corpo me convenceu e me deixei levar.
O mel era meu.
Quando parei pra notar adiante, logo depois destas divagações, o vidro estava pendurado por duas sacolas no meu braço.
Quase traí o Mel. Talvez, se tivesse deixando o vendedor caipira estilizado, herói do mel falando sozinho, jamais poderia olhar pra um pote de mel sem sentir culpa.

Mas isso foi por pouco.

E que venham as irritações de garganta. Minha e de minha garota!




terça-feira, 2 de setembro de 2008

É AMANHÃ


Aos que não sabem, amanhã lanço um curta aos cuidados de meu idolo de cinema, Carlos Reichenbach que me emocionou agora a pouco no seu blog http://olhoslivres.zip.net

Será no Cinesesc, na rua augusta , sentido jardins, pouco abaixo do Habibs as 21 hs!

Espero poder ver todos amigos por lá!

NAS DUAS ALMAS
(Produção brasileira de 2008)
20 minutos, Colorido
Diretor: Vebis Jr
Produtor: Rafael Armbrust, Fernando Yagyu e Raphael Borghi
Roteiro: Vebis Jr e Ana Paul
Fotografia: Vebis Jr.
Montagem: Marcelo Valletta
Trilha Sonora: Banda Crazy Legs
Diretor de Arte: Camila Vixen
ELENCO: Milhem Cortaz, Vanessa Prieto, Debora Oliveira, Juliana Vedovato e Supla.
SINOPSE: Quando Johnny, um rockabilly, traz a namorada para seu universo íntimo de músicas, brigas e visual, ele a distancia do relacionamento provocando um enorme dano afetivo.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Decepção Olímpica

Após mais um ciclo olímpico, as pessoas se perguntam: e ai, como fomos?? Pelo o que acompanhamos dos resultados obtidos (ou não obtidos), vemos o Brasil apenas em 23º no ranking de medalhas. Digo ‘apenas’ por ser um país de tamanho grandioso e grande importância cultural e econômica para o mundo. Com o sonho de se tornar uma potência olímpica, estamos dando apenas os primeiros, e vagarosos, passos.


Apesar de nunca termos sidos grandes vencedores de medalhas de ouro, sempre estivemos em evidência no mundo esportivo. Competições internacionais, campeonatos mundiais e disputas com os melhores atletas do mundo contam a participação de brasileiros. De vez em quando temos nossos representantes nos pódios e conseguindo ser campeões. Mas parece que temos um sério problema quanto a disputa do maior dos eventos: as Olimpíadas. Grandes expoentes do esporte nacional cravaram seus nomes entre os medalistas olímpicos, mas sempre esperamos muito mais. Nós aceitamos apenas o nível máximo de perfeição quando se trata de esportes, não nos contentando com a simples participação em torneios. Apesar de ser difícil de aceitar, o brasileiro é assim.


Com um total de 15 medalhas ganhas, sendo 8 de bronze, 4 de prata e apenas 3 de ouro. Em primeiro lugar ficaram os chineses e suas 100 medalhas, com 51 de ouro, 21 de prata e 28 de bronze. Essa disparidade coloca em dúvida toda a preparação brasileira nos últimos anos, passando por um Panamericano em casa e competições por todos os lados. Do que adiantar levar a maior delegação de todos os tempos para que os resultados fossem tão ruins? O velho dito se confirma: quantidade não é qualidade.


Apesar de ser claro a fraca participação do Brasil em Pequim, o presidente do Comitê Olímpicos Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman afirma que “o País teve o melhor retrospecto da história”. Sua opinião se embasa em cima do fato de termos participados de 38 finais disputadas, oito a mais do que em Atenas. Há quatro anos ficamos em 16ª lugar no quadro de medalhas, com dois ouros a mais. Essa desculpa esfarrapada foi pensada para tentar justificar o investimento de R$ 160 milhões para 2008, maior orçamento de todos os tempos. Assim como ele, o ministro dos esportes, Orlando Silva Jr., também se vangloriava dos números brasileiros. Com o passar dos dias em que se seguiram as olimpíadas, a participação de ambos foi se esvaecendo.


Dirigentes à parte, os atletas também nos decepcionaram. Nomes de respeito como os ginastas Diego Hypólito e Daiane dos Santos, o triplista Jadel Gregório e o nadador Thiago Pereira não conquistaram o esperado. Mas cada um é um caso. Na olimpíada anterior, Daiane não conseguiu dar seguimento a seu bom momento de campeã mundial de ginástica olímpica. Jadel sempre figurou entre os principais nomes do atletismo, mas nunca conseguiu títulos de expressão. Mesmo contando com a sorte do principal atleta do salto triplo não participar dos jogos, não conseguiu subir ao pódio. Já Thiago se mostrou muito aquém do que esperávamos de um campeão de panamericano. A competição sul-americana engana a todos, sendo que nunca foi levada a sério por outros países, caso de Estado Unidos, Cuba e Canadá.


O grande problema dos nossos atletas olímpicos é se contentar em fazer sua carreira por aqui e se destacar entre os próprios brasileiros. É preciso firmar a idéia de que se tornar um atleta de alto nível remete ao fato de você se desligar do país e disputar (e aprender) com os melhores do mundo. Cito aqui o caso do nadador César Cielo, detentor da medalha de ouro nos 50 metros livre e bronze nos 100 metros livre. Há três anos, se mudou para os EUA e tem competido com os melhores. Ele deixou os braços da família para abraçar o sonho de se tornar o melhor. Em Pequim, chegou como o segundo nome da natação brasileira, atrás de Thiago Pereira.
Enquanto não diferenciarmos atletas e atletas de alto nível, não poderemos sonhar com passos maiores no quadro de medalhas.


Demonstro aqui minha breve opinião quanto ao evento esportivo mais esperado do ano, mas que o Brasil não sabe participar....

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

A comédia julgada

- Mão sobre a bíblia, por favor!
Você jura dizer a verdade...

'Ás vezes me pergunto porque fomos criados? A muito tempo atrás... por volta de 200.000 anos atrás não existia nem eu, nem Deus.'

- nada mais que a verdade...

'Na verdade nossa criação passou por diversas formas. Tínhamos até mais que um semelhante neste caso! Passamos por nomes diferentes... O meu foi Hades a muito tempo atrás. Meus amigos tinham nomes estranhos...'

- somente a verdade?

'Hoje eu até prefiro aquele meu antigo nome. Era mais bonito! Pé cascudo é bem... complicado... mas pelo menos meus amigos tem nomes fixos, por exemplo Fome... ele é de quem mais gosto...'

- Eu prometo

'Até parece, vai perguntar isso pra mim? Justo pra mim? Com a mão nesse livro?'

- Senhores, podem se sentar. Sr. Cramunhão. Você está sendo acusado por...

'Nossa, essa lista é grande... Eles realmente vão querer ler um por um?'

- Injúria, Calúnia, Difamação...

'Poxa vida, eles tão de sacanagem comigo? Eu sou o cara mais honrado do mundo... Jamais faria uma coisa dessas!'

- Homicídio, Instigação ao suicídio...

'Ah! Nunca matei ninguém! São eles, aquele bobinhos na terra, que fazem isso por si. Eu só dou prazeres a eles, que nem o cigarrinho....'

- Furto, roubo, latrocínio, dano, extorsão, estelionato, violação dos direitos autorais e de marca...

'Caramba, eles realmente acham que eu ousaria mexer nas coisas dos outros... que barbárie, eu nunca faria isso! Isso aquele caras que conheço é que fazem...'

- Estupro, Corrupção...

'Ah, eu acho que eles estão errando em alguma coisa....'

- Caro filho da Cabra, não vou ler a lista inteira não. Já entendemos que você é o maior disturbio da paz no mundo...

- É mesmo, até eu estava ficando cançado.

- O que você tem a dizer?

- Bom... tenho a dizer que vocês estão todos errados!!!

- Como é?

- Calma, vou explicar...

' Ah tempos estive vagando pela Terra. A tempos sofri com as derrotas descritas, mas nunca as vivi de fato. A tempo vi que o caminho que segui é tão impuro de uma forma ao qual não pude saber como é de fato vivê-lo. Não posso ser castigado por mim mesmo! É só meu trabalho que tenho feito, e vocês não podem negar! Eu só estive ensinando a quem não sabe fazer as coisas da forma certa a fazer da forma certa. E não me digam para mudar meus métodos! Sabem que não funcionaria!'

- Seu jeito de fazer as coisas me enojam, Diabo...

- Olha aqui, você é o juiz mas não entende das coisas não né?

- Olha aqui, você ainda tem algumas ações na terra. Você interfere sim por lá! Não tente me enganar!

- Porra, tenho que ter isso também, afinal de contas quem paga o whiskinho das crianças?

- Seus crimes estão sendo julgados, toma cuidado com suas palavras!

- Cuidado?

' Você sabe que minha interferência é ínfima! Eu só coloco um pouco de peso na balança... minha prova é mostrar que a criação maior é falha. Eles querem as coisas assim! Eles querem ser tentado a todo o momento! Eles nos criaram o você sabe disso!'

- Não me tentes caído da luz! Ainda tenho minhas convicções!

- Tão falhas quanto as deles...

'Se ao menos quiser ver com os próprios olhos, vá viver com eles e tente mudá-los. Tente a mudá-los. Não sou eu que estou acabando com o mundo...
Eles sempre tem duas opções nas mãos. O problema é deles se ele escolhem errado!'

- Ah é? Então mostre. Mostre então!

- Eles já estão mostrando sem minha interferência! Liga a tv!

é dor que não se sente

As raspas da humanidade já foram ao fundo do copo...

Quem acha que ser humano que é, está acima de todo animal está enganado.

Seus feitos, seus cultos... nada do que fazem é diferente do que chamam de animais. São carnívoros, herbívoros, nadam, andam, nascem, crescem, se reproduzem e... morrem. A sensação de poder é na verdade o conforto que existe hoje para disfarçar a morte que vem amanhã.

O que se passa na cabeça das pessoas ao se comparar um homem que cheira mau a um porco, um imbecil que não pensa em burro? São todos tão quadrados na sua forma... raciocinar... pensar...

Se você acha que é diferente de um animal, prove então! Que suas características formam seus sentimentos diferente do que os outros sentem!

Pensar fez o que fez? Ou alguns pensam errado? O que é errado para você? Uma concepção etérea da realidade faz você passar longe do que os outros sentem. Sua sensação está presa dentro de seus ossos e longe de sua imaginação infértil... invertebrada... parada...

Essa é a asfixia da redundancia alheia. Mata a grito e morre. Vive em uma circunstancia de falta. O que falta é sentir dor que não se mede.









PEA.org.br

Alguém um dia terá de fazer a diferença!

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Arnica desacreditada





Sentimos que as pessoas mudam.
No filme Magnólia, lembro-me de uma matéria que Luiz Carlos Merten colocou, onde tinha um artigo publicado em que o diretor do filme Paul Thomas Anderson afirma que uma das razões dele ter colocado aquela chuva de Sapos, vinha de uma pesquisa comprovada em que poderemos medir o nível de sanidade das pessoas a partir da saúde dos sapos localizados nos brejos locais.

Eu também afirma achar bizarro, mas faz sentido.
E no filme quando chove sapos, é como a parte final de uma orquestra em que todos os personagens afundam junto no tom com todos instrumentos que se necessitasse!
Novamente me vejo posto frente ao que podemos chamar de nível de sanidade da população.
Faço até um paralelo com aquelas pessoas que quando estão a beira da morte, destacam-se as que tem fé que resistem mais, ou dependendo do nível de fé e milagre se curam, e as que definham mais rápido.

Fé ainda é um combustível humano necessário.
Notei isso pela minha garota: quando estou mal das costas, o que tem se tornado uma constante me travar as costas e a confiança que eu depositava nos remédios de infância. Quando moleque, sabia que todos indicavam remédio que contivesse arnica na sua composição. Da penúsltima vez que travou minhas costas chegando até me incomodar na respiração, entreguei a ela a geléia de arnica e que passasse no local dolorido.
Sua resposta foi avassaladora como a de Dana Scully para Mulder quanto as questões sobrenaturais na série Arquivo X: de maneira cética!

- Olha, eu posso até passar, mas você tá bem crescidinho pra saber que isso não funciona nada!

Perfurador este comentário. Acabou comigo e com toda metade na minha vida na fé contida neste remédio tão "cosas de avoela". Juro que este remédio funcionava, sério mesmo....não sei se era minha fé, ou a fé da minha avó, mas funcionava.
Meu próprio irmão contemporâneo da minha garota outro dia se negou passar a geléia sob a certeza (nem suspeita era) de que não adiantava nada!



As pessoas tem mudado pra pior, pelo jeito.
E não adianta fórmulas para crença. M. Night Shyamalan faz filmes como Spielberg fazia antigamente, um cinema que se depende d fé no que se viu, e não no discurso, como a maioria dos filmes faz hoje (como os do Nolan, Batmans Begins ou Dark Knight por exemplo) e isso hoje em dia no cinema é arriscado.
Sua maior ousadia havia já acontecido ha alguns anos atrás quando fez "Dama na Água" filme emblemático da fé, que desde os créditos iniciais, nos convida a sermos criança pra entender e poder acreditar em tudo que seria contado. E a história foi contada. Haviam de salvar uma ninfa que se chamava history, e pouca gente engoliu.
Achei "Dama..." um dos melhores filmes da década que tratam da questão: "Até onde você acredita?"e pouca gente sacou. A maioria, percebi que foi gente como ela que acreditava piamente que o remédio não funcionaria.
Mas como é uma geração em conflito, notei que no remédio ela não acreditou, mas no filme sim. Vejo por ela e outros amigos, uma fase de transição da nossa geração, e não quero ser encarado aqui, como o tiolão que encara de longe com dedinho no queixo. Estou envelhecendo, mas estou completamente inserido nesta convivência.

De toda transição, o que mais me preocupa é o ceticismo. As pessoas precisam ter fé, e isso não diz respeito a religião. Lembro-meaté uma frase que li nestes rodapés de agenda em que uma frase animava o dia: "Todos precisamos crer em algo. Creio que vou beber uma cerveja". Que seja. Pelo menos creiamos...isso é força interna!

Porém, mesmo com todas estas divagações, minhas costas ainda doem!



Vebis Jr ou se preferirem "El Cabrón" é professor de audiovisual na Universidade Metodista, pesquisador em cinema, diretor de fotografia em diversos curtas metragens (além dos seus) e contrabaixista acústico frustrado nas horas vagas! Dependente quimico em café, cinema e sexo!

domingo, 10 de agosto de 2008

o coveiro demente está à solta nas salas escuras


Brasileiro é não apenas aquele vendido ou dado nas propagandas na qual "não desiste nunca". É também a cria, ou a permanência da letargia e a resistência ao novo.
Quando se fala isso, nos remete imediatamente ao analfabetismo político da população que por tanto tempo temeu experimentar tendencias novas na hora do voto. Mas o foco deste "medo do novo" reflete-se na vida cultural, ou melhor, se a escola de Frankfurt adorava criticar a indústria cultural através de comentários xiitas de Adorno (minha humilde opinião), tenho de dar o braço a torcer que se condicionou um olhar, mais precisamente, nos permitimos a ter "olhar viciado" a ponto de esperarmos sempre o quadro repetitivo.
Meu amigo chega a mim com cara de emputecido.

Amigo
- Tô puto...o tempo que fiquei na bilheteria no cinema me irritou profundamente, cara!

Eu
- Ficou muito tempo esperando?

Amigo
- Nem é isso! enquanto esperava no guichê a mulher se acertar com os cartões ouvi na bilheteria ao lado um homem dizer pra mulher - Quero ver o filme do Zé! - e a mulher dele falou imediatamente - Aaaaah não, é muito tosco, não vamos ver não....vamos ver múmia 3 (ne: na boa? se fuderam....é simplesmente o pior filme que vi este ano)

Eu
- Poxa....que tolice!

Amigo
- Não pára aí...do outro lado mesma coisa: um homem queria ver o filme e a mulher falou na hora: Creeeeeedo, Deus me livre! Zé do Caixão ninguém merece!

Vejo aqui uma espécie de assassinato de vários suspeitos. Se o uso de armas estivesse aprovado, pessoas como estas exterminariam todas pessoas mal-encaradas por se parecerem com assassinos, ladrões ou tarados.
Vi o filme do Sr. Mojica Marins em sua presença, na do roteirista Dennison Ramalho e do escritor Murtarelli. Foi uma experiência fenomenal poder ter participado duma projeção destas. A sala nem estava tão cheia. Mas sabia que naquela sala estava o último dos remanescentes do cinema inventivo e genial do Brasil. Foi uma data memorável. Para minha alegria plena, Ramalhão, o roteirista e assistente de diretor me contava todos segredos que poderia perder.

Sai do filme justificado e feliz porque vi na tela um dos melhores filmes nacionais que o cinema brasileiro pode oferecer. Lembro-me quando saiu "O cheiro do Ralo" do Heitor Dhalia, eu o vi e preferi ficar quieto apesar de não curtir muito o filme. Sabia que nas veias deste filme, pulsava uma estética própria e uma honestidade do diretor no que produziu. Isso, se não agrada, no mínimo impõe respeito.

No caso deste do Mojica, o filme se torna tão inventivo, que até os patrocinadores que aparecem de praxe nos créditos iniciais de filme brasileiro, estão inseruidos no discurso inicial. A introdução do filme, é a melhor introdução do cinema nacional de todos os tempos, mas que, só funciona porque a figura do coveiro, tem uma potencia visual incomparável!

E se o que eu achava que seria um filme abjeto, do horror, foi na verdade um delírio com mãos de ferro na direção, trazia em cada fotograma a competência do retorno do mau e velho personagem brasileiro "Zé do caixão", dono de uma estética de cinema totalmente imersa nas culturas e medos mais brasileiros: o medo da macumba, do que não se conhece, do que é feio, do que se despreza, da pobreza e onde a fé sincretista não alcança.
O cinema de repertório popular é com certeza a maior pulsão que a população brasileira esqueceu porque se permitiram adestrar nos gostos a partir do olhar. Na época que o brasileiro se identificava com o repertório popular, se pagava na entrada de cinema o valor relativo a uma passagem de ônibus. Hoje, tiraram esta identificação desde antes da retina, distanciaram o cinema do público comum e castigaram o bolso. "Combati o o bom combate e perdi a guerra" é um trecho bíblico.

Uma pena, pois é disso que precisamos: do imaginário que brinca com o que está perto e amedronta, não com a realidade imposta e construída por outrém. Uma realidade que vem do mercado de outro país. A nossa realidade é completamente imersa no popular, na rua, na pinga, no dominó. Foi nessa realidade que um simples coveiro surgiu para amedrontar nossos avós e pais e até hoje faz efeito, mas que infelismente, perde não para o medo construído de uma realidade passada, mas pelo controle de mercado de olhares que erra o caminho certo: o do investimento, manutenção e permanência da nossa cultura.

Salve o mestre Mojica, o nosso mestre que pariu um "cinema de autor" sem qualquer tipo de referência e que quando questionado o porque de seu misticismo fazer tanto efeito, responde sempre:

- minha religião é o cinema!!!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Uma gota de sabedoria

Aos prantos Sheila chorava. Acabara de perder um grande amor, perdera para aquela cafageste, loira e filha da puta daquela mulher!

O Mário xingava puto. Esbravejava poderes que jamais teve, se mostrava áustero senhor portador de empresas que nunca chegou perto, só para fazer com que o autor da colisão em seu carro se sentisse muito mais culpado do que já se sentia.

Cristiano berrava nomes que n]ão sabia o que deveria ser, quando viu seu melhor amigo se quebrar, revelando cacos de plástico rosa.

Era assim que o mundo se via. Cansado, pesado e ausente. Ausente de toda a dor que pudera sentir.não se fazia bons custumes como antigamente. Hoje um motoqueiro simples e pacato pode ser culpado por outros pelos crimes cometidos por quem não conhecemos.

E os humanos continuam assim, arredios, pensativosa, alarmados de medo, se dizem cohecer do desconhecido e armam-se uns contra os outros. São impuros e infiéis. Não se fazem pensar num minuto de silêncio aquele que merecidamente passa dessa para um descanso eterno.

Os animais, eles continuam também, se fazem não querer conhecer os homens. Ficam ali, parados, esperando que fazer o que sempre fizeram em suas vidas, achando que não chegar perto e atrapalhar os humanos vai salvá-los da morte horrenda. Vai salvá-los de serem descascados por um que sente frio e não pena, ou dó, ou melhor, sente apenas a ignorância.

Os virus fazem de tudo para cumprir seu papél. Seu papél de salvar o planeta do pior virus de todos. Mas só conseguem matar ignorantes, aqueles que quase não oferecem tanto perigo para entes de própria raça.

Então perguntei a ele uma vez. Ele me respondeu:

- Criei o mundo, criei os seres e tudo que convive com eles. Criei a sabedoria para chegar a um ponto. Sabia que eles poderiam crescer de uma forma exascerbada. Afinal de contas, tudo que começa tem que acabar, não acha? Deu um começo para isso tudo. O Final? Os humanos que se virem! Nunca puderam me deixar mais orgulhoso!

Me pergunta agora quem foi que me respondeu isso!

quarta-feira, 30 de julho de 2008

A caverna

Era amargo o gosto daquilo. As vísceras se contorciam para fugir daquele montante sinistro de sentimento pútrido e indigesto.

Era a visão de homens e crianças que se deparavam com uma realidade tão dura quanto sofrer a pior das perdas. Essa visão que se amorteciam com o cotidiano visceral de momentos passageiros.

João tinha 68 anos. Os anos mais bem vividos por um homem. Viveu como uma criança até aquele momento. Todo momento de sua vida era uma história a se contar.

Trabalhava em um parque de diversões. Mais brincava que trabalhava. Mas trabalhava. Seus trocados lhe rendiam sorvetes e pirulitos. O velho jovem sempre teve grandes amigos.

Seus amigos que um dia vieram também se foram. Alguns deles viraram profissionais famosos, empresários grandiosos. Alguns deles tem carros importados, outros tem uma família linda. Alguns de seus amores nunca saíram dos posters presos nas paredes dos bares ou nas laterais das bancas.

Alguns dos hobbies de João nunca estiveram em falta. A sua volta tinha tudo o que queria. Montanha russa entre outros. Brincava com amigos novos que ali surgiram.

Não havia certeza de nada quando era ele. A única certeza é que ele gostava de tudo aquilo, e que ninguém ousava tirá-lo dali.

Havia muitas histórias para se contar. Terras, monstros, grandes criaturas.

Aquele homem, sim, aquele homem era feliz.

E dele não houve legado de sangue, mas houve grandes histórias e inveja de quem hoje não consegue fugir da realidade abrupta que temos.

O Livre arbítrio não são escolhas por simples ser. São escolhas que se fazem ser.

1º Desafio: Quem somos? - Rub´s - Atrasadíssimo!!

"Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos,
são palavras,

Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo."
(Fernando Pessoa)

Definir-se pelo que já foi escrito é bem mais fácil e tentador, mas vou tentar fazer dos dois:
Tardiamente me apresentando como o mais novo membro deste blog (yay!), meu nome é Rúbia, tenho 24 anos de vida, trabalho com publicidade e apesar de meu cargo não se envolver muito na"publicidade pura", sou extremamente curiosa e posso dizer que sei levar uma conversa sobre o tema "numa boa".
Estudante adoradora de Letras, amo Literatura de todos os tipos e minhas mais novas paixões são a Linguística e a Gramática (pois é... amar a gramática é possível!), e pretendo falar bastante sobre estes temas por aqui. \o/
Amo cinema, amo séries, amo as pessoas, amo os amigos, amo a família, amo escrever e principalmente amo falar! hehe...

Vamos nos encontrar mtas vezes por aqui!

´Later Babe...

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Correria do dia a dia

Ao tempo que se esgueira, ela engana

Faz do tempo tempo precioso, faz do cálculo algo que não há de funcionar

Engana sobre que eu quero, me faz nefasto a viajar sem lar

Que não queira saber de nada, que só queria primar, criar sem solucionar

Não se sabe o que é problema, que problema é tempo e tempo não há de se ganhar

O dinheiro é moeda fato, que se faz quando mato,

mato verde areia onde enterro meus inimigos imginários que fingem estar lá

Não quer saber de nada, sigo a minha vida sigo até chegar em algum lugar

Brilhante era o cão, que morto de fome, rasgou o saco, e morreu de tédio!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Fim do começo, ou começo do fim?

Depois de ver o transito na cidade, que muda para pior a cada minuto que se passa. Depois de ver a uma criança pedir no farol e ser derrubada por um outro maior. Depois de passar 3 anos desempregado, desiludido e fudido. E agora, depois de passar a um trabalho sujo de misérias na carteira. Estive por tempo quieto. E quieto fiquei por muito tempo.

Disse que o final de semana era curto, que a semana era longa. Que o domingo era o início do fim, e o sábado é o fim do começo...

Pois venho protestar. Sim, venho protestar!

Me diga você, sim, você, que passa a semana inteira trabalhando, reclamando, depois passa o final de semana inteira reclamando, me diga. Está reclamando do que?

Passei o fim de semana ouvindo e falando. Vi que não haveria como não me expressar depois de ear a verdade colocada dentro do ponto.

E aí, vamos discutir sobre o assunto?

O quê? Agora ficou desconfortável, só porque estou falando bravo com você? Pois então escute!

Porque raios você reclama pelo seu trabalho? Você trabalha o tempo todo mas, essa não foi sua escolha? De buscar uma boa maneira de ganhar dinheiro e poder sustentar seus gastos que nem sempre, ou melhor, quase nunca, é tão importante para manter você vivo e feliz. Pois é meu amigo. Lembro de quando você reclamava quando estava desempregado, desiludido, achando que era fracassado. Quando você estava assim, o que que você fazia? Você reclamava! Sim, você reclamava!

É sim. E depois, quando seu amigo te arrumou o trabalho que você tem hoje, você até agradeceu, ma não deu uma folga de uma semana para reclamar de novo.

Quando vem o fim de semana, o que que você faz? Reclama! Não basta passar a metade do primeiro dia do fim de semana que você já fala do segundo! Não é mesmo? É sim! Já reclama do segundo, falando que quando aparecer o fantástico você já fica cansado só de lembrar do trabalho que terá no dia seguinte.

Meu amigo, as coisas são diferentes. Porque raios você se compara com os outros quando fracassa? Dizendo " Ah, pelo menos aquele ali foi pior que eu" e depois não quer se comparar quando o cara se dá bem. Porque você não compara o seu trabalho com quem está procurando um!

Percebeu como ficou diferente. E aí? O que tem a me dizer?

Olha, eu não sou assim!

Ah, mas é sim! Ou você pensa que eu não ouvi você! Que eu não te vi dizer? Você faz isso o tempo todo! Tá infeliz porque? Alguém te disse que você não tinha escolha a não ser isso?

Não! Mas eu não tenho escolha, o que eu posso fazer?

Olha, sua defesa é inútil quando você só fica com essa bunda na cadeira e não faz nada para mudar! Olha aqui! As coisas podem ser diferente. Você não quer! Você acha que reclamar é mais fácil, não acha?

Não é bem assim. Mas eu...

Como não é assim. Quando ódio você alimentou só por inveja. Você você fizesse a metade que aquele amigo seu fez, você estaria no mesmo lugar que ele! Não se engane, irmão. Os dados na sua mão tem o mesmo número em todas as faces. Você escolhe a aposta.

Mas, eu não sei como....

É por que você nunca buscou saber como. Sai desta poltrona e vai descobrir o mundo. Isso não é auto ajuda. Isso não é mais auto piedade. Eu já cansei de ficar aqui vendo tudo isso. Passando a mão na tua cabeça e não fazer nada. Você tem de sair daí!

Você tem razão.

É! Eu tenho sim! Tem mesmo, eu vou sair agora e botar tudo para melhorar!

É isso aí! Agora sim você está parecendo mais a mim do que este obscuro chamado depressão.

É isso aí. Na segunda eu começo a mudar!

É isso aí. Amanhã...

Não! Amanhã não. Numa outra segunda...

..."Dizia a humanidade na frente do espelho"...

"Um som dos pedaços do vidro batendo levemente na pia seguido do estrondo seco se fez no final deste diálogo. Pequenas manchas vermelhas na bancada eram o prólogo do grande Vencedor!"

E o meu dia seguinte começou com a minha mão enfaixada!



(ps do autor: Adoro dar soco na cara!)

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Desculpas a todos

Um pedido de desculpas aqui no SketchBlog.

Ao que percebem o 2º desafio foi cumprido apenas por um dos integrantes, que o cumpriu com certa dificuldade. Gostaria de dizer que há problemas pessoais a ser enfrentados. Por isso esse atraso.

Gostaria de pedir desculpas em nome dos integrantes por isso. Mas a partir de hoje estamos com uma imensa felicidade e dizer que um de nós superouo problema que enfrentava e pode dizer que é mais um profissional no mercado de trabalho.

Sim! O André Gravata é mais um profissional que está trabalhando. Parabéns!

Agora que todos nós estamos tomados pelo trabalho e tudo mais, teremos de repensar algumas coisas do blog. Como por exemplo os prazos dos desafios.

Logo notificaremos as pequenas mudanças que este blog terá de passar.

Enquanto isso, não deixem de visitar o SketchTrash, que continua com suas atualizações diárias.

Estamos fazendo o possível para tornar o blog um grande lugar para um pequeno e diferente entretenimento a vocês!

Um grande abraço!

Detetive Amoroso

O ventilador rangia em seus movimentos de bailarina sem sair do lugar, os móveis se revezam soltando estalos aqui e ali, os últimos raios de sol se apertavam para passar nas estreitas aberturas da persiana gasta do tempo. Sobre toda superfície do lugar, reinava uma fina camada de poeira que já quase faz parte da decoração do lugar. Na cadeira ao centro, quase tão inerte como os móveis que lhe faziam companhia, um detetive aguardava. Aguardava pelo quê?
Talvez por três batidas na porta seguidas pela entrada de uma fêmea fatal. Vestida em vermelho com seu lenço ora apertado entre os dedos, ora a secar-lhes as lágrimas dos olhos. Ela contaria seu caso, ele se prontificaria a ajudá-la, ela cairia em seus braços e ele a seguraria como se fosse a única.
Ou então esperava por uma sinfonia dissoante de cantadas de pneus, gritos na rua, rajadas de metralhadora e as sirenes da polícia. Olharia pela fresta já alargada na persiana de tanto ser aberta, iria até seu casaco no mancebo e dali até a delegacia. Onde seus velhos companheiros e hoje informantes dariam a ele uma história que renderia muitos drinks, um soco na cara e longas noites sem dormir.
Na verdade, esperava apenas que algo acontecesse. Sabia que era muito mais provável que ali entrasse mais um marido munido de sua desconfiança conjugal e ele, ele viveria mais alguns dias atrás de uma mulher e seu amante. Tirando fotos, gravando conversas e ouvindo atrocidades do marido, como se fosse ele o homem com que sua mulher saía.
Perdido em seus pensamentos, nem notou o envelope que silenciosamente entrou por baixo da porta. Como se não tivessem sido feitos para isso, abriu os olhos com dificuldade. Viu o envelope, em seguida se virou para Doce de Leite, Tudo bem, é uma aposta. Se este for mais um marido desconfiado esse será meu ultimo caso. Se não for, você ganha e eu continuo a trabalhar. Fechado, a gata apenas voltou a deitar sua cabeça nas patas, como se dissesse que nem se preocuparia com as chances de perder.
A aposta pesava em seus ombros, não outro motivo havia para tanto tempo se demorar sentado na mesa com o rosto nas mãos e o olhar no envelope. Levantou-se, ao seu peso e ao extra que carregava. Andou pesado até a porta e enquanto o ultimo raio de sol deixava de iluminar o branco do envelope, pegou-o nas mãos.
Enquanto caminhava de volta, agora mais leve, lia a mensagem escrita a ele. ‘Doca 23, Armazém 7’, Será que você foi um coelho em outra vida, foi sua despedida à sua amiga felina. Com toda a curiosidade e ansiedade que lhe foram ausentes nos últimos anos ele deixou o escritório e descia as escadas enquanto vestia o casaco.
De súbito, parou na porta que dava à rua. Na rua, agora um bloco de água se impunha a sua passagem. Chovia como há muito tempo não acontecia, chovia como se todas as nuvens da cidade estivessem disputando um espaço mínimo e enquanto se empurravam umas às outras derramavam toda a água que guardavam dentro de si sem critério algum. Levantou sua gola, afundou o chapéu na cabeça, respirou uma ultima vez a seco e ainda segurando as golas adentrou o ringue molhado.
Atingido por todos os golpes das nuvens, entrou no que parecia ser um bar. O Rajada de Bala. O dono, o velho barman era seu amigo de infância. Todo mundo tem um amigo que nasceu disposto a tomar um tiro por uma amizade, é algo conhecido a todos nós. Desnecessário dizer isso, o barman não morreria nem pela Mãe. Mas quando se tratava de informações, era a pessoa a se recorrer. Todos também temos um amigo que conhece todo tipo de gente e não importa o lugar, sempre tem alguém conhecido por perto. ESSE era o tipo do barman.
Na verdade o Rajada de Bala era uma grande coleção de amizades do dono. Pena que ele tinha muitas figuras repetidas: matadores de aluguel, capangas, guarda-costas, informantes, policiais corruptos e marginais recém-iniciados existiam aos montes. Ele tinha um grande chefão da máfia, um capitão da polícia e a sua figura mais rara: um político corrupto. Pena o barman não ter com quem trocar para completar sua coleção. Mas ele com certeza ganhava dos outros em quantidade, Ei, meu velho, Ei meu chapa, O de sempre, Não, estou aqui a trabalho hoje, Ah, quem foi dessa vez, aposto num marido, Não, dessa vez quero acreditar que a coisa é grande, eu tenho um endereço, você tem um nome, Coisa grande, gente famosa envolvida, Não, ainda não sei bem com o que estou lidando, eu te mostro o endereço que tenho, você me dá um nome?
O detetive encharcado tirou um pedaço de papel que bravamente lutou contra a umidade do casaco, perdeu, mas lutou bravamente. Agora estava ali repousando para sempre na mão gelada e enrugada do homem que o afogou, Meu chapa, eu não sei com o que você se envolveu, mas eu não vou te dar um nome, Meu velho, o que está acontecendo nessa cidade, Você não vai querer saber, aliás, nem deve saber, melhor voltar para seus casos de adultério, Obrigado, já ajudou muito.
Como se respeitasse a vontade do detetive a chuva agora havia passado. Restava agora apenas as nuvens negras passando em frente à Lua cheia apenas para deixá-la mais aterrorizante. Fumaça saía dos bueiros como se fosse coisa normal. Alguns gatos passeavam pelas beiradas dos prédios desafiando a gravidade e o acaso a acertarem-lhe as costas ao chão. Pela ultima vez naquele dia, o detetive levantou a gola e saiu andando.
Conferiu uma ultima vez o endereço, parecia que toda vez que tentava memorizar os números, eles batiam em sua testa e voltavam ao papel. Mas já não era mais preciso enjaulá-los em sua mente, o lugar era esse. A doca de número 23, no porto da cidade. Subiu lentamente cada degrau da escada ao lado de fora, escada essa que parecia ser infinita. Se a contagem de degraus do detetive estivesse correta, agora deveriam faltar só mais três degraus para chegar às nuvens. Felizmente para ele, antes de sua visão ser atrapalhada pelo negrume do céu, chegou até a janela que dava visão para dentro do galpão.
Dizer que o detetive não acreditava no que via seria uma inverdade, mais acertado seria dizer que ele queria não acreditar. De fato, se aquilo que viu não fosse realidade seria muito mais confortável para o bem estar dos seus nervos. Lá estava numa grande mesa o prefeito, alguns secretários, uns tantos empresários, grandes organizadores do crime e dúzias de assistentes respectivos. E ali do lado de fora, suando como nunca, um detetive.
Por alguns minutos, talvez não por opção, mas sim por não conseguir se mexer e correr dali, o detetive ouviu a conversa que se desenvolvia. Ouviu nomes, propostas, ameaças, acordos. Viu apertos de mão, saudações, dedos em riste, mãos ao alto, dedos acusadores. Queria ser surdo a continuar a ouvir tudo aquilo. Foi quando juntou todas as forças que encontrou no seu corpo, na sua força de vontade, na sua mente, nas suas lembranças e qualquer outro lugar do qual fosse dono, que o detetive esboçou um movimento de fugir dali. E eis que um rosto se virou para ele.
Era o secretário da segurança pública, o rosto era conhecido seu, afinal era o cargo maior da força da qual um dia ele já fez parte. Sorte a dele era de que o secretário não conhecia o seu, e mesmo que conhecesse o instinto da auto-preservação dos seres humanos pode nos assustar às vezes, o deste detetive o fez ser mais rápido do que um olhar e o tirou da vista de qualquer um dentro do armazém.
A passos largos desceu das alturas onde se encontrava até o chão, e desceria mais se o solo que toca seus pés lhe permitisse. Andou apressadamente sem olhar para trás em direção ao armazém. Nunca na vida tinha sentido tanto medo, tão ameaçado. Nenhuma visão de uma mulher e seu amante era tão opressora como a cena que tinha presenciado agora.
Só queria voltar para seu escritório e ficar a espera de mais um cônjuge desconfiado, afinal de contas ele era só um Detetive Amoroso.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

2º Desafio: Tanabata Matsuri (Yuki)

Contradição de uma festa (pt2)


Ayumi fez 59 anos. Era inverno, e o frio de tilintar os dentes viera a tona naquele dia. Era 7 de Julho de 1985. Era festa das estrelas. Naquele dia ela sentia algo diferente.

A noite que antecedeu aquele dia foi uma noite tranqüila. O céu estava estrelado como a 40 anos atrás. Era magnífico poder ver estrelas cadentes voar por entre as estrelas que ficama paradas, piscando levemente no céu. A aproximação do sol com a lua era tão suave que quase imperceptível a todos os anos que passaram, mas naquela noite as duas maiores estrelas do céu pareciam quase juntas.

Foi o que veio a tona. Ayumi sentia que algo muito maior estaria por vir!

Na festa do Tanabata, no dia seguinte, ela estava afoita. Era como se esperasse alguém. Estava sozinha. Não conseguiu construir uma família depois dos acontecimentos entre os imigrantes japoneses.

E não era pra menos. Em instantes viu de longe Haruo andando como se estivesse perdido. Ela ficou muito feliz. Haruo não mudara nada. Era jovem como era naquela época e estava tão eufórico como naquela vez.

Ayumi foi direto a ele quando percebeu que ele estava realmente jovem como naquela época. Percebeu que algo não poderia estar certo. Aquele não podia ser Haruo.

Aquele jovem olhou-a de repente. Perguntou rispidamente quem era. Ayumi respondeu, e pediu desculpas por confundi-lo com alguém que ela conheceu a muito tempo.

O jovem desculpou-se por ser rude e falou que alguém poderia se encaixar na descrição da senhora. Ele disse que seu avô era muito parecido com ele. Seu avô era Haruo.

As estrelas no céu realmente se aproximaram naquele dia. Mas não da forma como deveriam, mas sim como poderiam.

Uma pessoa uma vez me disse que não devemos nos prender no passado afim de perdermos o que temos a frente. O que se perdeu pode um dia se recuperar, mas olhemos para um futuro que pode ser tão grandioso quanto aquele que temos agora em mãos.

Ayumi sorriu depois daquele dia. Depois de viver mais 22 anos, teve sua partida muito feliz para algum lugar.

Sim, ela pode ser feliz.

2º Desafio: Tanabata Matsuri (Yuki)

Contradição de uma festa (pt1)


Era uma época complicada na história do mundo quando estes jovens se conheceram.

Ayumi era uma menina tímida. Com os trabalhos mais tensos da lavoura, arrumava tempo para se dedicar a estudos que fazia praticamente sozinha, em casa. Tinha nascido já no Brasil. Sua mãe veio ainda criança no primeiro navio, o Kasato Maru, em 1908. Ayumi nasceu 17 anos depois do primeiro navio da imigração. Agora com vinte anos, vivia a pressão da família para se casar.

Haruo era um trabalhador de primeira. Nunca deixou a lavoura sofrer qualquer falta. Sempre se dedicou em ajudar sua família. Seu pai estava muito fraco, sofria de tuberculose. Com aquela idade seria difícil sobreviver. Mas o fazia para o sofrimento dos filhos. Os pais de Haruo veio no primeiro navio também, se casaram pouco depois de chegar. Haruo nasceu 13 anos depois do casamento e era o terceiro filho do matrimônio.

Era o sétimo dia do sétimo mês do ano em que Ayumi e Haruo se encontraram pela primeira vez. Viviam no mesmo estado, em fazendas bem próximas. Naquele ano as festas entre os imigrantes nipônicos eram bem tensos. O Japão passava pela guerra, para os japoneses aqui no Brasil, o Japão seria um país vitorioso cheio de glória. Por conta disso, a pressão era grande, mas não impedia o Tanabata Matsuri completo. Ou melhor, o mais próximo possível do completo. Os imigrantes tinham dificuldades de fazer uma boa festa, faltava dinheiro para fazer algo realmente parecido com o que viveram no Japão.

Contudo, aquele Tanabata Matsuri vivia um momento especial. Foi a paixão a primeira vista entre Ayumi e Haruo. Eles jamais poderiam se sentir diferentes. A forma como viveram, como sofreram e como cresceram tornavam ambos feitos um para o outro. O brilho no olhar porém, era a única prova do sentimento que ali nascia. E foi embaixo de uma das 8 bolas de papel que simbolizava as estrelas do céu. Era a estrela branca. Estava encardida por causa da poeira do solo brasileiro, mas naquele momento, aquela esfera de papel brilhava mais que qualquer estrela poderia brilhar.

No dia seguinte ao momento que só se manteve por uma troca de olhares e rápidas palavras, Ayumi acorda em sua casa. Lembrava com carinho daquele momento no dia anterior. Haruo não conseguiria fazer diferente. Sua mente só lembrava de Ayumi.

Com essa lembrança ambos não poderiam fazer diferente. Se encontraram uma vez depois na cidade para compra de alguns produtos. A partir deste dia se encontravam sempre. Passaram quase um ano assim. Quase sempre juntos. As responsabilidades de ambos já não eram mais com o campo. As famílias já pensavam num casamento.

Em abril do ano seguinte, em 1945, houve a notícia que mudou tudo. O imperador japonês anunciava já em junho que o Japão perdeu a guerra. Aquilo abalou os japoneses no Brasil. Algumas famílias compreenderam, outras não. Não aceitava que o país glorioso como o Japão perdera a guerra.

A sociedade se dividiu. Os japoneses daqui que não acreditavam na derrota do Japão, os Kachigumi’s chegaram a perseguir os que acreditaram, os Makegumi’s. Infleizmente a família de Ayumi era Kachigumi. Seu pai chegou a ameaçar a mãe de Haruo.

Para o sofrimento do casal, a guerra que antes assolava o mundo se resumiu em assolar o pequeno número de imigrantes que ali viviam. Para o sofrimento de Haruo e Ayumi, eles tiveram de se separar. A família de Haruo fugiu, indo para um lugar muito mais distante. Fez isso para o bem de sua família. Tinha que proteger a todos, já que nenhum de seus irmãos se dispuseram a liderar a família e proteger a todos. Não podiam contar com seu pai, que um dia foi vivo.

O brilho dos olhos de Ayumi se fora, e nunca as recuperou desde então.

domingo, 13 de julho de 2008

Novidades Sketch

Senhoras e senhores, caros leitores.

Aqui é o Yuki de novo. De volta para falar um pouco sobre as semanas que passaram. O SketchBlog está em sua terceira semana e venho com novidades.

A partir de hoje, este blog passa a mostrar um pouco mais do que somos. Faremos alguns textos sobre nossas referências, nossos gostos. Falaremos sobre o que temos visto no mundo que servem como referências para nossos trabalhos. Então vai um pouco sobre filmes, livros, quadrinhos e etc. São pequenas críticas e etc. Um exercício extra para podermos exergar mais a fundo nossos próprios trabalhos. E contamos com auxílio de você, leitor, para avançarmos mais firme.

Além disso acabamos de abrir o espaço SketchTrash. Uma linha paralela ao SketchBlog. Lá colocaremos quase a mesma coisa que aqui, porém com muito mais irreverência. São comentários engraçados sobre nossas referências e etc. Nossos gostos e muito mais estarão expostos com brincadeiras ali!

No SketchTrash teremos outras novidades, mas aí fica para vocês derem uma olhada depois!

Logo teremos outras novidades aqui também.


Um abraço forte!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Amanhã vem rápido demais

Era meia noite. Estava frio naquele navio. Ventos sopravam melodias que resfriavam a mais quente das espinhas.

Um senhor sentado a janela cantava junto dos ventos. Deixava sua voz correr paralelo
às linhas invisíveis do frio. Era a ode allegro aos deuses nórdicos.

Era uma canção de paz. Ao menos uma vez era paz na terra.

Os olhos de uma criança brilharam ao ver o velho senhor, sentado e apoiado sobre sua bengala. A criança muito esperta, perguntou ao senhor:

- Senhor. Qual música é essa que o senhor está cantando?

- Não é música, meu filho, é um último suspiro antes de ir deitar. A muito tempo não canto uma verdadeira canção. Minha voz se fora quando libertei a juventude de meu corpo e passei de um corpo como o seu ao meu decrépito experiente da vida.

- Senhor, seu suspiro é muito bonito!

- Quantos anos tem, pequena criatura?

- 8!

- Há ainda muito de aprender! Mas do que tenho, só posso deixar um ensinamento. Jamais deixe de ser o jovem que é, Nunca esqueça de brincar e sorrir! Sempre!

- Senhor, tudo bem, mas... então como serei rico?

A pressa não tem preço

Olhos bufantes, ao caminhar dos navegantes
Era o ócio do esguio, andante radiante adiante
Se era pro próximo a correr, por deixar-te
Dos tripulantes era o rápido mais distante

A pressa não tem preço, não tem apresso
Faz correr quem teme, quem tem coragem
Faz ir adiante quem não pensa em caminhar
Faz que faz dizer algo, mas é dissonante

A pressa não tem apresso, tem peso
faz caminhar a frente dos olhos bufantes
Faz do ócio o sócio do andante que segue
Radiante a correr deixa-te adiante
Dos tripulantes o mais próximo a perecer

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Refúgio dos alucinadores

Olhou no relógio. Viu que faltava exatamente 23 minutos. Não se desesperava porque estava muito próximo de seu destino.

Era assim a vida de João. Este que era brasileiro, se dizia ser ao menos. Se interessava por futebol, mulheres cerveja. Um cidadão comum. Porém aos olhos de muitos era um rapaz muito organizado e reservado.

Como todo bom brasileiro, ia aos botecos no meio da noite. Se enchia da loirinha e voltava pra casa aos soluços na madrugada. Esse era João.

João gostava de caminhar. Não tinha escolha porque carro é luxo de poucos, menos em São Paulo que vive lotada de carros. Comia o bom prato feito durante o almoço e o bom zoião na janta.

Enfim era um rapaz comum da classe comum do Brasil. Era solitário por vezes, era muito bem acompanhado por outras. Era o que fosse, mas nunca deixou de ser João.

Ao meio dia, a 23 minutos de seu compromisso, João se viu em uma situação irreal. Nunca viu algo como aquilo. Uma luz tão intensa quanto o sol pousou sobre sua testa e se apagou.

Uma coisa como aquela deveria ser vista por todos a sua volta, mas João percebeu que ninguém vira o acontecimento. Então João, perplexo, ignorou e seguiu com seu caminhar. Ao olhar novamente ao relógio, viu que faltava agora para seu compromisso exatamente 45 minutos. Fato que jamais poderia entender.

- Como raios isso aconteceu? Meu relógio quebrou?

Todo o tipo de pensamento encheu sua mente. Seus olhos fitaram o céu por um longo tempo quando de repente um flash passou por seus olhos e tudo estava mais claro.

Ele viu alienígenas. Sim! Ele viu alienígenas, daqueles cabeçudos com grande olhos e corpos magros e pequenos. Imaginou todo o tipo de coisa, e o jogaram um dia depois do fato, com um pequeno erro em seu relógio.

Houve uma cirurgia. Sim, houve uma cirurgia. Ele mau conseguia ver os cirurgiões, via tudo embaçado, com uma luz intensa em seus olhos. Via grandes cabeças, ouvia sons ininteligíveis e sons de metais batendo. O tilintar do medo que se escorreu por sua espinha.

Naquele dia, esperou os 45 minutos e a pessoa quem esperava não chegou, cumprindo os fatos que passavam por sua cabeça. Ele ligou para a pessoa. Era uma mulher, com a voz suave e elegante. Era Joana, uma moça da pacata cidade de Nova Hamburgo, chegara em São Paulo a pouco.
- Joana, por que você não veio? (perguntava João, disfarçando o acontecimento)
- Como assim? Combinamos nos ver amanhã! Você está tão desesperado para me ver assim?

João não mais soltou uma palavra. Largou o telefone. Perplexo com a situação, não sabia a quem pedir ajuda. Correu pela porta de casa, pulou feito louco. Berrava aos céus “porque eu”.

De repente em sua direção vinha a luz novamente, desta vez milhões de vezes maior e muito mais forte. João fechou os olhos e quando as reabriu...

... ele estava em sua cama. Mais uma noite sem aqueles remédios.
- Quanto tempo mais? Quanto tempo mais?

João se perguntava porque já não queria mais ser igual a todo mundo na Terra.